Design, um produto da modernidade?

Para uma investigação histórica correcta é necessário ir às origens, mesmo sendo difícil, pois há muitos pontos a esclarecer, tais como por exemplo, a definição de áreas tentando diferenciar legitimamente o design de objectos do design em geral; a correlação entre o design e a sociedade industrial; a diferenciação entre o estatuto profissional dos designers e o dos arquitectos, entre muitos outros.

A interpretação das origens do design deverá ter como base a verificação e a compreensão das “histórias” cada qual com os seus diferentes pontos de partida seja do design ou da arquitectura moderna.

O século XVIII com a sua industrialização é dado como origem do design em vários países, como por exemplo, na Inglaterra, com a Arte Nova em França, com Jugend na Áustria e na Alemanha, etc.

As “Histórias do Design” não especificam estes problemas pois definem um modelo de análise diferente, seja para o ponto de partida desta mesma história seja quanto à ideologia.

Bauhaus é por alguns considerado como um destes pontos de partida. Há ainda outros que noutra perspectiva não consideram o design como um produto da industrialização mas como um sistema aonde os objectos se tornam “sinais”.

As várias perspectivas diferenciam-se segundo as ideologias político-económicas dos séculos XVIII e XIX, assim como a correlação design/artesanato.

Do ponto de vista da Arte Nova o design é uma manifestação artística; a ideologia marxista vê no design uma descoberta de formas: a Bauhaus, uma relação entre a forma e a função.

Sendo a forma e a função a distinção entre a forma e o conteúdo as variantes da abordagem crítica são numerosas.

No entanto, em oposição à época do racionalismo, que é considerado como ultrapassada, o design dos objectos deve ser visto como a inovação do design “radical”.

Tentemos ver a questão: “ O design é um projecto de objectos multiproduzidos?”

A relação existente entre o planeamento e a industrialização começa na evolução da economia, não obstante que a produção em série de objectos ou elementos arquitectónicos seja fundamental e existisse muito antes das “histórias” do design, desde o tempo dos Gregos e dos Romanos.

Outra controvérsia é a distinção entre indústria e artesanato, aonde se opõe a produção de objectos feitos à mão, repetitivamente e, a produção em massa de um único objecto pela máquina

Os critérios de definição de objectos em série têm demasiadas variantes para que se possa basear neles para uma análise concreta e adequada em formulação de questões.

Jugend e a sua noção de design global (forma ligada à função), em oposição à fase de Weimar assim como a Dassau (a imagem desenhada segundo parâmetros diferentes dos das mitologias “funcionais”) interligam-se em termos culturais.

Em Bauhaus a distinção entre a forma e a função não serve para realçar o novo e o diferente.

Todas estas questões apontam para uma revolução no design, mas toda a abordagem crítica se encontra perante o problema da correlação entre a produção industrial e a produção artesanal.

A produção artesanal dos ateliers de vanguarda, como os designers de objectos do Futurismo e do Construtivismo, entram na história do design de um modo marginal, apesar de não podermos deixar de considerar a sua importância, realçando as suas noções relevantes em que na forma o que interessa é o seu valor simbólico.

A ruptura entre design artístico e design de projecto ficou ultrapassada com a produção de objectos em pequena escala e findou com o mito do design como produto em série.

Concluindo, não se pode declarar que o design moderno seja uma consequência da revolução industrial nem que quanto às origens se possa fazer história só com um modelo e uma única tradição.

Há que comparar os modelos investigando a sua evolução através das diferentes épocas, atentivamente e aprofundadamente, algo que ainda não foi feito objectivamente.

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